O tesouro escondido
Acabo de lhe dizer «quando encontramos Jesus». Mas, será
que o encontramos? Cristo, nos Sacrários, é verdadeiramente aquele tesouro escondido de que fala o Evangelho (Mt 13,44): um tesouro escondido num campo,
junto do qual passam muitos sem perceber nada, como se só houvesse lá
terra, capim e pedras. Só o cristão que ama a Eucaristia é capaz de encontrá-lo…, cheio de alegria
lá onde há um Sacrário. Então, como na parábola, o feliz descobridor
compreende que aquele tesouro vale mais que todos os tesouros da terra
e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem, e compra aquele campo (Mt, idem).Você entende o que isso nos sugere? Você e eu vamos pela rua e passamos diante de uma igreja, um hospital ou um colégio católicos. Lá há um Sacrário, lá dentro está o Santíssimo Sacramento - Cristo vivo! -, e nós podemos passar sem ligar a mínima, como aqueles viajantes indiferentes da parábola do samaritano. Que pena! Você vai dizer-me que anda pela rua distraído, sem má vontade. E eu lhe respondo: «Proponha-se perceber», e corresponda ao amor com que Cristo quis ficar no Sacrário por você, por mim.
Vou-lhe sugerir algumas atitudes práticas:
a) Comece refazendo mentalmente os seus itinerários mais habituais. Não precisa para isso nem de mapa nem de GPS. É fácil recordar as ruas e lugares onde você já percebeu que há alguma igreja, capela, etc.
b) Proponha-se então não passar por esses lugares sem dizer algo a nosso Senhor. Um ato de amor («Jesus, que estás aí, eu te amo»), uma saudação simples e cordial («Jesus, bom dia, me acompanhe hoje no trabalho!»), ou - e essa pode ser uma excelente solução - reze uma «Comunhão espiritual», que consiste em dizer a Jesus que desejaria recebê-lo com amor. «Invente» a maneira de Lhe dizer isso. Talvez o ajude aprender de cor a fórmula de uma bela Comunhão espiritual, que já foi rezada por almas muito santas e que hoje muitos utilizam. Diz assim: «Eu quisera, Senhor, receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos».
c) Aproveito o anterior para acrescentar que a Comunhão espiritual, rezada - bem rezada - em qualquer momento, lugar ou circunstância, tem um grande valor. Veja o que diz João Paulo II: «É conveniente cultivar continuamente na alma o desejo do sacramento da Eucaristia. Daqui nasceu a prática da “comunhão espiritual” em uso na Igreja há séculos, recomendada por santos mestres de vida espiritual. Escrevia Santa Teresa de Jesus: “Quando não comungais e não participais na Missa, comungai espiritualmente, porque é muito vantajoso. [...] Deste modo, imprime-se em vós muito do amor de nosso Senhor”» (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 34). E Santo Tomás de Aquino afirma que uma comunhão espiritual rezada com fervor, pode alcançar-nos muitas das graças que receberíamos se comungássemos sacramentalmente.
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